Por Fábio Ivo Antunes- Advogado especialista em Direito Eleitoral, membro da ABRADEP, da CAOESTE e integrante da Comissão de Direito da OAB
O
Fundo do Poço sempre é mais fundo que a gente imagina
Terminado o primeiro turno, logo o domingo seguinte havia a expectativa da realização do primeiro debate entre Lula x Flávio Bolsonaro na Band. O que era para ter ocorrido em 11/10/2026, por decisão dos candidatos junto com a emissora, foi adiado para ontem, 18/10/2026.
É provável que, quando lerem esse texto, o
resultado final já tenha ocorrido. Mas, nesse momento, não é esse o tema dessa
breve reflexão, mas sim a forma como estamos lidando com o principal cargo da
República.
Lula e Flávio Bolsonaro protagonizaram,
principalmente no primeiro bloco, um duelo de doer os ouvidos e os olhos. Um
vexame. Um comportamento que não deveria ser aprovado nem para representante de
sala de Ensino Fundamental.
Mas, necessário aprofundar a questão. Não é o
formato do debate, vide o alto nível entre Tarcísio x Haddad em 2022 e 2026 e,
com sinceridade, nem o comportamento do atual Presidente e candidato à
reeleição, Lula.
Lula participa de debates desde a
redemocratização. Diante de todos os seus adversários, não me recordo de
atitudes dele, ou de seus adversários na época, que tenham sido tão infantis,
grosseiras, cínicas e desrespeitosas para com o adversário, telespectadores e,
principalmente, eleitores, independente da opção.
Seguindo a cartilha daqueles que vendem e são
remunerados fomentando a provocação e o ódio nas redes sociais, Flávio
Bolsonaro optou não por debater, mas apenas provocar e nada acrescentar. Isso
porque ele é o favorito para vencer! Imagina se fosse um franco-atirador.
Cinismo, normalmente, não é bem visto fora da bolha ideológica.
Quem faz o debate são os seus debatedores. Se
alguém está predisposto a avacalhar e achincalhar aquilo que – deveria ser – o
momento de discussões políticas se torna um circo onde os palhaços são os
telespectadores.
É até muito provável que o debate não altere
nada no resultado final. Repito: a questão não é essa, mas sim voltarmos a
exigir um comportamento minimamente educado e sem deboche de quem quer ser
Presidente da República.

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