A trajetória de pai Rogério antes e depois da Tenda de Caridade Caboclo Flecha Verde
O mestre de obras e dirigente fundador do centro de Umbanda Tenda de
Caridade Caboclo Flecha Verde (T.C.C.F.V), Willians Rogério Ferreira, 51 anos,
pai Rogério, contou ao Jornal Nosso Pedregulho (JNP) a respeito de sua
trajetória dentro da Umbanda, que aos 3 anos teve seu primeiro contato com Exu
Caveira, seu guardião que o acompanha até hoje e que sua Casa é chefiada pelo
Caboclo Flecha Verde, por orientação de seu guardião e realiza trabalhos sem
fins lucrativos.
É necessário se observar que ao contrário do que muita gente pensa e
imagina, Exu na Umbanda é um guardião, um mensageiro e um espírito de alta
evolução que atua na caridade, desfazendo demandas e protegendo os caminhos,
por intermédio de uma de suas 49 falanges.
Segundo pai Rogério, ele nunca teve outra religião e é umbandista desde
sua infância porque sua mãe biológica tinha Centro em Guaratinguetá chamado
Tenda de Caridade Caboclo Junco Verde, e sua avó era Mãe Pequena (segunda na
hierarquia) do terreiro Tupinambá, dirigido por Hélio Ferreira. “Aos 3 anos
tive meu primeiro com o meu guardião, o Exu Caveira e aos 14 anos, conheci a
dona Maria Aparecida do Nascimento Rosa, que era dirigente e fundadora da Tenda
de Caridade Vovó Luiza, que na época atendia na rua Joaquim Maia. Lá, com mãe
de Santo dona Cida, fiz toda minha feitoria de Umbanda e me tornei médium
pronto, servi a casa Vovó Luiza por uns 21 anos, mesmo após a morte da minha
mãe de santo, permaneci servindo a Casa até 2009”, recordou o dirigente.
Em 2010 pai Rogério foi para a Tenda de Caridade Mãe Maria de Aruanda,
fundada e dirigida pela Mãe de Santo Rosalina, conhecida como dona Rosa. “Lá
fique servindo a Casa de janeiro a outubro, me despedi da Casa com carinho e
respeito. Nesse mesmo ano (2010), em dezembro era comum eu ir a Ubatuba fazer o
trabalho à beira-mar para Yemanjá, porém eu estava sem Casa para ir, foi quando
meu guardião Exu Caveira me disse para juntar quem quisesse ir pra Ubatuba e,
fazer a obrigação anual, e foi o que eu fiz, fomos em 8 pessoas, eu, minha
esposa, minha sogra, uma filha que até hoje é minha filha de Santo e mais 4
pessoas, sem muitas condições financeiras, mais fomos, pois Exu Caveira tinha
falado que tudo iria dar certo, e deu! Para nossa surpresa, foi um trabalho
lindo até o amanhecer, ao clarear do dia Exu Caveira veio fechar o trabalho
incorporado em mim e disse aos 7 presentes que: “Ali sua Casa estava sendo
fundada, que nos próximos 6 primeiros meses do ano teríamos uma Casa, um
Terreiro para todos que precisassem desenvolver, com amor e verdade, e essa
Casa se chamaria Tenda de Caridade Caboclo Flecha Verde". Ficamos
assustados com essa notícia, pois não tínhamos lugar, porém foi Exu quem disse,
então cumprindo sua palavra no dia 01/abril/2011 estávamos todos reunidos
inaugurando a Tenda de Caridade Caboclo Flecha Verde. Que em dezembro deste ano
(2026) completará 16 anos de fundação e no 01/abril/2026 completou 15 anos de
sua inauguração, sendo hoje uma Casa reconhecida com de UTILIDADE PÚBLICA em
Guaratinguetá e, tem a Mãe Pequena e futura sucessora Mãe Ana Cláudia, que está
na Casa desde sua fundação.”, disse.
A Umbanda praticada no T.C.C.F.V não tem mistura com outras religiões e
segue a Umbanda Pé de Congá, que aprendeu com sua Mãe Santo e Espiritualidade,
que a Umbanda do Ciclo de Evolução não tem segredos. “A nossa Umbanda tem
aprendizado, evolução e, tem seus sacramentos internos para médiuns. Nós
acreditamos em um só Deus, o Pai onipotente, onisciente, criador de tudo e
todos. Nós louvamos aos Orixás, que para nós é energia viva na natureza criada
por Deus”, explicou pai Rogério.
No T.C.C.F.V os médiuns trabalham com Caboclos representantes da
energia do Orixá, e com as entidades dos ciclo evolutivo, que são espíritos que
tiveram vida e corpo carnal e hoje, prestam a caridade na Seara do Pai como:
Pretas e Pretos Velhos, Caboclas e Caboclos, Marinheiras e Marinheiros,
Pombagiras e Exus, Baianas e Baianos”, esclareceu pai Rogério, frisando que na
Umbanda não existe uma entidade mais forte que outra e o que existe, é evolução
e aprendizado, que faz com que umas sejam mais evoluídas que outras, sobre o
campo de atuação e que cada entidade tem sua particularidade de trabalho assim
dividindo as funções entre elas.
Antes da pandemia de COVID 19, o T.C.C.F.V realizava atendimentos às
segundas e sextas-feiras, mas após a pandemia os trabalhos passaram a ser
realizados todas as quartas-feiras. “Depois de uma reunião e consenso com o
corpo mediúnico, devido as responsabilidades da vida pessoal de cada um, até
porque temos filhos de outras cidades, decidimos fazer trabalhos uma vez na
semana”, disse.
O dirigente da T.C.C.F.V explica que todas as pessoas nascem com uma
missão e no tempo certo, haverá o chamado que defini se elas nasceram com a
chamada missão dupla que é serem médiuns e todas as pessoas tem compromisso com
a verdade. “É importante pontuar que a Umbanda é religião, os médiuns são
sacerdotes praticantes de desenvolvimento e feitoria, porém, uma pessoa que é
ativa na assistência, procura o terreiro como um lugar de paz, é umbandista por
fé e crença”, explicou o dirigente.
A respeito de haver a interferência e influência de líderes religiosos
nas políticas: municiais, estaduais e federais, Ferreira diz que para ele
nenhuma religião deveria se envolver com política. “Eu particularmente sou
contra a religião estar envolvida com política, mas o mundo não é assim, tudo
vira uma política, então em termos de ser justo, é igualdade para todos e,
dessa forma, deveriam ter sim políticos da Umbanda. que defenda os direitos da
nossa religião, com o mínimo de respeito para praticarmos a Umbanda sem sermos
julgados”, frisou.
Pai Rogério também explicou que na Umbanda é muito importante o livre
arbítrio, que cada um é responsável pelos seus atos, e que todo ato gera uma
reação. “Na minha Casa sempre ensino meus filhos, que respeitar religião do
outro é melhor forma de praticar a sua, que discutir sobre religião e que a
Umbanda é um sentimento que se deve deixar que a fé floresça. O livre arbítrio
é importante, cada um faz sua escolha. Meus filhos são ensinados que a
plantação é opcional e que a colheita é obrigatória, com isso cada um tem
direito pensar por si”, conclui o dirigente do T.C.C.F.V.





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