A minha história não começa com um sonho, um projeto ou um plano de vida
Por Juliana Afonso Rodrigues
A minha história não começa com um
sonho, um projeto ou um plano de vida
Enquanto eu ainda
lutava pela minha própria vida, a vida me colocou diante de outra batalha:
minha mãe sofreu um AVC. Em meio ao tratamento contra o câncer, precisei ser
força, amparo e esperança para ela. Foram dias de tensão, medo e oração. Mais
uma vez, portas se abriram, pessoas surgiram no caminho certo, e Deus nos
concedeu uma vitória. Minha mãe se recuperou — e a minha fé, que já era grande,
se tornou inabalável.
Quando chegou o
momento da reconstrução da mama, símbolo de um recomeço e da retomada da
autoestima, a dor veio de uma forma diferente. Perdi o meu companheiro. Ele foi
alguém que Deus colocou na minha vida para atravessar comigo os dias mais
difíceis da doença. A sua partida, justamente quando eu acreditava que tudo
começaria a se encaixar, foi um golpe profundo, silencioso, que quase me fez
desistir. Foi um luto vivido por dentro.
Mas sobreviver
nunca foi apenas continuar respirando. Aos poucos, entendi que sobreviver é
permitir que a dor ganhe propósito. E foi assim que a minha história começou a
alcançar outras pessoas. Vieram as entrevistas no G1, na CBN e na TV Vanguarda,
e junto com elas algo que mudou tudo: mensagens de mulheres dizendo que, depois
de me ouvir, marcaram exames, buscaram ajuda médica e encontraram coragem para
enfrentar seus próprios diagnósticos.
Hoje, recebo
diariamente mensagens de pessoas em depressão, pessoas no fundo do poço, que me
dizem que minha história as ajudou a não desistir da vida. É nesse ponto que
minha história deixa de ser só minha.
Foi assim que
nasceu o projeto Além do Outubro Rosa — porque a conscientização não pode durar
apenas um mês. A campanha é o ano inteiro. O cuidado é diário. O diagnóstico
precoce salva vidas todos os dias. O acolhimento emocional não tem data no
calendário. Recentemente, recebi também um convite para participar do programa
Band Mulher, em Uberlândia. Ainda não conseguimos alinhar uma data por questões
logísticas, mas o convite reforça que essa mensagem precisa continuar
circulando, alcançando mais mulheres, mais famílias, mais vidas.
Hoje, posso dizer
com gratidão que estou curada, estou casada e sou feliz. Carrego marcas,
memórias e aprendizados, mas carrego, acima de tudo, uma missão: mostrar que
Deus restaura histórias e que, mesmo depois da dor, é possível recomeçar e
viver plenamente. Eu não escolhi passar por tudo isso. Mas escolhi não guardar
essa história só para mim. Se uma mulher marcar um exame depois de me ouvir, se
alguém encontrar forças para sair da depressão, se uma vida for salva, então
tudo terá valido a pena.
Instagram: @julianaafonso40 É por lá que respondo dúvidas, acolho
mensagens e tento ajudar, dentro do que estiver ao meu alcance, quem precisa de
orientação, apoio ou simplesmente ser ouvido.

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