Por Glauco Morais, psicólogo e psicanalista contato 12 3959-1427

 *Depois que a porta se fecha...*



Há pessoas que ligam a televisão antes mesmo de tirar os sapatos.

Não porque queiram assistir alguma coisa.

Apenas porque a casa parece silenciosa demais.

Outras abrem o celular.

Respondem mensagens.

Percorrem fotografias.

Assistem vídeos que esquecerão alguns minutos depois.

Por um instante, parece suficiente.

Curioso como algumas pessoas passam o dia inteiro procurando companhia e, quando finalmente estão sozinhas, fazem de tudo para não se encontrar.

A agenda ajuda.

O trabalho ajuda.

As notificações ajudam.

Há sempre alguma coisa para fazer.

Algum lugar para ir.

Alguma preocupação para resolver.

E talvez seja justamente por isso que parar tenha se tornado tão difícil.

Porque, quando o barulho diminui, certas perguntas costumam aparecer.

Perguntas sem urgência.

Mas nem por isso menos importantes.

Será que estou feliz?

Era essa vida que eu imaginava?

O que estou procurando há tanto tempo?

Nada de extraordinário.

Apenas a velha experiência humana de não saber exatamente onde se encaixa.

Alguns procuram esse lugar no amor.

Outros no trabalho.

Outros no olhar dos outros.

E há aqueles que seguem ocupados demais para continuar procurando.

Ainda assim, algo insiste.

Uma conversa que dura mais do que deveria.

Um domingo inesperadamente.

Como se a vida, de vez em quando, encontrasse uma maneira de interromper a correria para lembrar uma coisa simples: nem todo vazio precisa ser preenchido.

Alguns apenas precisam ser escutados.

Talvez seja por isso que tantas pessoas tenham medo do silêncio.

E talvez seja por isso também que ele continue sendo tão necessário.

Porque nem sempre encontramos aquilo que procuramos.

E é justamente quando paramos de procurar que alguma coisa acontece.

Uma conversa.

Um amor.

Um bom encontro...

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Pela 1ª vez PSOL terá pré-candidato a prefeito em Guaratinguetá

Coligação da pré-candidatura de Junior Filippo é a maior de Guará

Por Paulo Sanchez- Arquiteto atuante em Permacultura urbana e Bioconstrução, amante da natureza e de endorfina na veia através de atividades que me conectem com ela.