Por Fábio Ivo Antunes Advogado especialista em Direito Eleitoral. Membro da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, da CAOESTE e integrante da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP
O freio no Teto de Gastos da
Eleição 2026
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por unanimidade, que o teto
de gastos da Eleições 2026 serão idênticos aos valores praticados em 2022.
Portanto, todos os candidatos envolvidos já sabem quanto poderão gastar no
pleito eleitoral desse ano.
Relevante relembrar que o financiamento eleitoral brasileiro é, na
teoria, público e privado, desde que doado por pessoa física. Pessoa jurídica
não pode realizar doações.
Na prática, há baixíssimo percentual de dinheiro privado destinado as
campanhas eleitorais brasileiras. O grosso vem do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha – FEFC ou Fundão Eleitoral.
E cada candidato tem um teto de gastos. Ele pode até conseguir
obter mais recursos do que o teto permite, mas só pode utilizar o valor
decretado como limite. O possível excedente deverá ser devolvidos aos cofres
públicos se advindo do Fundão Eleitoral.
A justificativa do TSE seria que a LDO 2026 não previu atualização
monetária para valores destinados aos partidos políticos e o FEFC também foi
mantido no mesmo patamar de 2022.
Com isso, por exemplo, candidatos ao cargo de Deputado Estadual
por São Paulo poderão gastar no máximo R$ 1.270.629,01. Já para a vaga de
Deputado Federal por São Paulo será de R$ 3.176.572,53. Para a Presidência os
candidatos poderão gastar até o limite de R$ 88.944.030,80 no primeiro turno e
R$ 44.472.015,40 adicionais em caso de dois turnos.
Concordo com a crítica que se faz ao montante disponibilizado, mas
discordo de justificativa de que não teria que ter financiamento público.
Democracia, literalmente, custa dinheiro.
Gastar significa tentar amplificar suas mensagens e ideias.
Reduzir para apenas financiamento privado deixará muito mais difícil qualquer
renovação dos políticos atuais. Afinal, que está de fora precisa se fazer
conhecido para ter o mínimo de chance.
Talvez por esse motivo e por uma falsa moralidade que é capaz que
o financiamento privado seja, em algum momento, modelo específico de
financiamento de campanha.

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