Fábio Ivo Antunes Advogado especialista em Direito Eleitoral. Membro da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, da CAOESTE e integrante da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP
Entre mortos e feridos salvaram-se todos
Durante os julgamentos da Tentativa
de Golpe de 08 de janeiro foi utilizada a expressão “Dia da Infâmia” para
lembrarmos daquela triste tarde/noite do início de 2023.
Em 15/09/2026 foi a vez do Supremo
Tribunal Federal televisionar o seu dia da infâmia, protagonizado por parte dos
atuais Ministros no julgamento da validade do relatório produzido pela PF que
ensejaria uma possível abertura de inquérito contra o Ministro Alexandre de
Moraes.
Não há intenção, nesse momento, de
se debruçar sobre a legalidade dos atos ou o que gerou esse momento. Nos
atentemos ao que foi exposto naquela manhã e tarde de terça-feira. A fala da
Ministra Carmen Lúcia resumiu o sentimento de muitos brasileiros.
Mas, mais grave, me chama a atenção
o deslocamento da realidade. Nós, advogados, somos classificados pela
Constituição Federal como essenciais à justiça por realizarmos a ponte entre o
cidadão, os conflitos sociais e o Estado via Poder Judiciário.
As atitudes da Sessão de 15/09/2026
aumentam e reforçam em demasiado a descrença ao Poder Judiciário. Os Ministros,
por sua vasta e sólida formação acadêmica, têm total ciência do qual grave se
torna uma sociedade descrente de seu próprio Judiciário.
No dia-a-dia, infelizmente, é cada
vez mais comum ouvir de pessoas naturais e de representantes de pessoas
jurídicas a descrença ao Judiciário e a busca por “soluções” alternativas que a
via do Judiciário.
Em um conflito social civil isso
pode parecer banal. Se formos ao conflito social trabalhista começa a ficar
perigoso. Se chegarmos ao Penal, caminhamos para uma inviabilidade social.
Decidir investigar ou não um – ou
mais – Ministros é grave. Merece atenção e cuidado pelo respeito aos
procedimentos. Mas mais grave ainda é, sob pretexto desse zelo todo, jogar a
credibilidade do Judiciário como um todo mais ainda na lama.
As consequências podem ser
imensuráveis e inimagináveis. Lembremos da mulher de César.

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