Geny Vasques diz que evolução do Pedregulho se deu por conta da Teci
A entrevista desta Edição que traz o passado do Pedregulho, é com a
professora Geny Severina Vasques, 85 anos, que nasceu pelas mãos da
parteira Mariquinha em 1940 na rua Timbira, atual Ten. Quirino no bairro
Pedregulho, casada a 65 anos com Mércio da Costa Vasques, 90 anos. Dona
Geny trabalhou no escritório da Cooperativa de Laticínios e, depois de casada
voltou a estudar e passou a dar aulas de Educação Artística nas escolas Estaduais
de Guaratinguetá.
Cinco casas do lado esquerdo da casa onde dona Geni mora na Ten.
Quirino, e do direito, até o terreno faz esquina com a Rua Joaquim Maia, era a
chácara de seu avô, o descendente espanhol Florentino Barcos, que produzia
alimentos hortifrutigranjeiro e, as vendia no Mercado Municipal de
Guaratinguetá. “No meu tempo de criança a gente brincava tranquilamente nas ruas
de terra, não tinha trânsito, mas tinha muito mato, terrenos vazios e as ruas
que tinham ligação com a Joaquim Maia, tinha uma pontinha de madeira, pra gente
poder chegar na Joaquim Maia, você percebe que um lado a calçada é bem largo?
Esse riacho foi canalizado ali”, contou a professora afirmando que todas as
ruas do Pedregulho tinham nomes indígenas.
A professora contou que naquela época os banheiros ficavam fora das
casas e não havia água encanada e as casas se abasteciam por meio de poços, mas
o bairro já contava com energia elétrica. O JNP apurou que os moradores do Pedregulho
começaram a receber eletricidade entre 1905 e 1913. “A primeira água encanada
no Pedregulho foi por meio de uma torneira instalada na Joaquim Maia, onde tem
um depósito de gás. Os moradores iam até a torneira apanhar água”, contou a
professora. A SAEG informou não ter registro da torneira instalada na Joaquim
Maia, mas os irmão Vail Monteiro 88 anos e
Elizabete Monteiro 86 anos, que nasceram na Joaquim Maia, confirmaram a
existência da torneira.
Dona Geni contou que seu pai, Teotonio Severino, trabalhou na fábrica de tecido do bairro e para ela, a Teci foi a mola propulsora do desenvolvimento do Pedregulho. “A fábrica deu o início ao desenvolvimento do bairro, hoje aqui tem de tudo é quase uma cidade”, disse a professora.
Em várias reportagens, os moradores do bairro ressaltaram a
grandeza das comemorações do Dia do Trabalhador aqui no Pedregulho, os que eram
realizados pela TECI e os piqueniques na Caixa d'Água que foi
considerada como um ponto turístico da cidade, por oferecer uma vista
panorâmica completa de Guaratinguetá e Aparecida.
“No feriado de 1º Maio a fábrica fazia um churrascão, tinha jogo de futebol no campo Teci, inclusive eu vi o Pele jogando aqui (* Pedregulho 1959), ele era do Exército e veio jogar contra o time da Teci. A fábrica tinha um médico que ia nas casas dos funcionários pra fazer os atendimentos, todas as quartas-feiras a Teci passava um filme em preto e branco de baixo da arquibancada do campo, em frente do AME a fábrica criou o Clube de Dança que oferecia aulas de bolero aos filhos e filhas dos seus funcionários, e uma vez por mês tinha um baile muito bom no Clube de Dança”, lembrou dona Geny, frisando que nesta época o Pedregulho ainda não tinha a Sabap.
Na opinião de Geny, André Broca Filho (PSP) foi o prefeito (1947
a 1951) que fez coisas importantes no Pedregulho, “Eu me lembro que
estava na rua com o meu irmão e, de repente começamos a ouvir um barulhão e
fomos ver e, era um Tratorzão amarelo que estava arrumando as ruas do bairro,
foi uma coisa até emocionante, o Broca foi um bom prefeito”, disse.
*Diferentes fontes na internet
O Rei Pelé jogou no Estádio Augusto
Schmuziger (o famoso campo do Teci
Guará,
localizado no bairro do Pedregulho em Guaratinguetá) em 1959, servindo à
Seleção Brasileira do Exército. Naquela ocasião, ele já era campeão mundial com a Seleção
Brasileira, mas cumpria o serviço militar obrigatório como o Soldado Nascimento
e jogou a partida amistosa pela Seleção do Exército Brasileiro contra a Associação
Esportiva de Guaratinguetá, que venceu o Exército de Pelé pelo placar de 4
a 3.






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