Por Fábio Ivo Antunes- Advogado especialista em Direiro Eleitoral, membro da ABRADEP, da CAOESTE e integrante da Comissão de Direito da OAB
A vitória do voto ideológico e a derrocada do voto local
Encerrado primeiro turno da Eleições 2026, muito já se
falou sobre a acirrada disputa presidencial ou a larga vantagem da eleição para
o Governo do Estado de São Paulo. Pretendo ficar nas Casas Legislativas e a
representatividade local.
Utilizando um recorte regional do Vale do Paraíba, temos
a comprovação da derrocada do voto local e da aposta em nomes regionais. Em
contraponto, a votação dos candidatos ideológicos e de forte presença online
explodiu.
Resultado: exceto São José dos Campos, não há nenhum
representante de outra cidade do Vale do Paraíba na ALESP ou na Câmara dos
Deputados. Por mais 04 (quatro) anos as demandas que necessitarem de atuação do
Governo do Estado ou da União dependerão da benevolência de Deputados que não
possuem quaisquer raízes na região.
Esse fato não é irrelevante ou um argumento provinciano.
Na política de dia-a-dia, ter um canal direto para tratar com o Executivo ou
ter viabilidade de maior recurso orçamentário com as emendas impositivas faz
toda a diferença.
Por mais que diversos Deputados destinem valores, não
podemos esconder a realidade que se impõe: o montante varia e é aplicado de
acordo com o retorno de votos que a localidade lhe deu ou pode lhe dar.
Diferente seria se um representante local estivesse nas
Casas Legislativas onde, desde o Orçamento Secreto, se encontra o acesso ao
erário para a solução dos problemas reais.
Taubaté, Pindamonhangaba, Jacareí, Guaratinguetá tiveram
entre os mais votados para Deputado Estadual e Federal candidatos que
dificilmente terão atuação forte e direta na região.
Os candidatos de presença ideológica diminuíram muito a
força do voto local. O problema é que a atuação deles dificilmente resolverá os
problemas reais e locais.

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