Por Glauco Morais, psicologo e psicanalista contato 12 3959-1427
Algumas pessoas leem o manual antes de
ligar o aparelho.
Outras apertam todos os botões até alguma
coisa funcionar.
Há ainda aquelas que guardam o manual
numa gaveta, por segurança.
Meses depois, quando uma luz começa a
piscar, ninguém se lembra onde ele está.
Com a vida, curiosamente, fazemos algo
parecido.
Passamos os primeiros anos seguindo
instruções.
Estude!
Trabalhe!
Economize dinheiro!
Encontre alguém!
Tenha uma casa!
Faça exercícios!
Beba dois litros de água!
Durante algum tempo, parece simples.
Cada coisa em seu lugar.
Cada idade com suas tarefas.
Cada escolha apontando para a próxima.
Até que, em algum momento, uma luz começa
a piscar.
A profissão escolhida perde o encanto.
Um desejo aparece fora de hora.
Um plano antigo já não combina com quem o
fez.
E apertar os mesmos botões começa a
produzir resultados diferentes.
Alguns procuram análise querendo
respostas.
Depois de algum tempo, começam a escutar
as próprias perguntas:
Uma palavra que sempre volta.
Um medo com endereço conhecido.
Um desejo que insiste em escapar das
instruções.
Aos poucos, aquela língua estranha começa
a ganhar alguma familiaridade.
Um recalculo de rota,
A seta para outro lado.
Uma nova anotação.
Descobrimos que algumas páginas só podem
ser escritas por nós mesmos; que viemos sem manual.
Erramos alguns botões.
Acertamos outros.
E, de vez em quando, descobrimos uma
função que nem sabíamos que existia.
Quanto ao manual...
provavelmente continua naquela gaveta ao
lado das coisas que guardamos para o caso de um dia precisarmos delas e que,
factualmente, nunca usaremos!

Comentários
Postar um comentário
Sua mensagem será analisada antes de ser publicada.